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Publicado por :   CBE Emprego   |   Dia : 12-04-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica

Vânia Matola: A licenciatura que não definiu a carreira.


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Para muitos, a escolha da licenciatura é um passo muito importante, pois poderá determinar o seu futuro no mercado de trabalho. A notícia boa é que nem sempre precisamos definir a nossa carreira através da nossa licenciatura. Com o passar do tempo, e com diferentes experiências acumuladas, os interesses profissionais podem mudar. E quando se tem coragem, associada à uma vontade de aprender algo novo, não existem limites. No Especial 7 de Abril de hoje, conversamos com um exemplo desta narrativa - a mulher Moçambicana Vânia Fortes Matola.                               

1. Quem é a Vânia Fortes Matola?

Vânia Fortes Matola é uma mulher trabalhadora, mãe, formada em Turismo. Atualmente trabalho como Analista de Conhecimento, Monitoria e Avaliação no FSD Moçambique (FSDMoç). Gosto de dizer que sou uma cidadã do mundo inteiro, e do meu mundo.

2. Actualmente trabalha como Analista de Conhecimento, Monitoria e Avaliação no FSDMoç, mesmo tendo feito uma licenciatura em Turismo. Por que motivo decidiu mudar de área, e o que foi necessário para que conseguisse fazer esta mudança?

Licenciei-me em Turismo, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane. Trabalhei em Inhambane enquanto estudava, e depois de me graduar, trabalhei em hotéis. O lado bom é que, o turismo é uma área interdisciplinar, o que facilita o enquadramento em outras áreas, pois exige muito mais do que conhecimentos específicos. Também trabalhei em projectos de Turismo sustentável que promoviam a participação das comunidades locais na gestão dos recursos turísticos. Talvez isso tenha despertado em mim a vontade de trabalhar na área de Programas de Desenvolvimento.

Para fazer a mudança de carreira, a primeira coisa que fiz foi um curso de inglês intensivo na África do Sul, para melhorar o meu domínio da língua.

Mais tarde, em 2011 ganhei uma bolsa de estudos da Graça Machel Trust. Onde tive a oportunidade de fazer um mestrado em Técnicas de Análise e Inovação Turística, na Universidade Rovira i Virgili na Espanha.

3. Qual é a melhor parte do seu trabalho como Analista de Conhecimento, Monitoria e Avaliação?

O FDSMoç é uma entidade que tem como missão  expandir os níveis de inclusão financeira no país. Portanto, a melhor parte é sem dúvida, ver o impacto das nossas intervenções nas vidas dos beneficiários (mulheres, jovens, pequenos agricultores, população da zona rural, Pequenas e Médias Empresas).

Ao trabalhar nesta área aprendi o quão é importante colaborar para o empoderamento e a promoção da igualdade de todas as pessoas, sem deixar ninguém para trás. Trabalhar no FSDMoç tem sido uma aprendizagem constante e um desafio diário, além disso, desenvolvi mais a minha capacidade de análise e crítica.

 

4. Olhando o seu percurso, qual foi o momento mais marcante da sua carreira, e de que orgulha-se mais?

Eu acredito que todos os momentos foram importantes. Todos os lugares e trabalhos por onde passei, construíram a profissional que sou hoje.

 

5. Quais habilidades e qualidades são as mais importantes para a mulher moçambicana conseguir alcançar o sucesso profissional?

É importante que a mulher seja responsável, atenta, flexível, comprometida, goste de aprender e saiba adaptar-se aos desafios que surjam.

 A formação académica é essencial, mas também é preciso desenvolver competências que vão ajudar a ter um bom desempenho no trabalho.

 

6. Que conselho deixa para as mulheres moçambicanas que procuram emprego, e almejam um dia alcançar a satisfação profissional?

Eu sei o que é procurar emprego, não é nada fácil. No mundo de hoje é mais difícil porque estamos em constante mudança, e é preciso acompanhar essa mudança para não ficarmos para trás.

O meu conselho para as mulheres que procuram emprego, é que pensem um pouco no empreendedorismo. É preciso procurar trabalho, mais do que emprego. O trabalho neste contexto, é uma actividade que gera rendimentos, que pode ser desenvolvida pela própria mulher, enquanto procura o emprego ideal. Muitas vezes a renda que é gerada, quando suficiente, pode ser usada para financiar cursos de capacitação que irão melhorar o CV. Por outro lado, aconselho também que as mulheres desenvolvam habilidades relacionadas às tecnologias de informação, e que fiquem atentas às oportunidades desta era digital, independentemente da área de formação que têm.