Image

Partilhe : 0     Por e-mail 470

Publicado por :   CBE Emprego   |   Dia : 13-04-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica

Destina Guitunga: Uma reforma dedicada à formar cidadãos melhores!


.


É comum pensar-se que os anos de reforma devem ser dedicados somente ao descanso. Esta ideia não mais corresponde à realidade, visto que para muitos, a reforma é uma oportunidade de manter e até melhorar aptidões físicas, mentais e sociais. No Especial 7 de Abril de hoje conversamos com Destina Guitunga, uma mulher Moçambicana que para a sua reforma, decidiu fundar a Escola Génios (situada na Cidade da Matola) e dedicar-se à educação infantil.

 

  1. Quem é Destinta Guitunga, e qual a carreira que lhe persegue?

Bom, em termos de formação profissional, eu sou professora. Formei-me na altura da independência, depois da minha 9 classe. Fui professora do ensino primário, pela Escola de Formação de Professores Primários (EFPP), depois voltei para a Faculdade de Educação, e formei-me como professora do ensino secundário. Trabalhei alguns anos, e depois formei-me pela Unidade Pedagógica. Fiquei monitora do Ensino Superior na disciplina de Introdução à Demografia, e acabei ficando como assistente estagiária.

Ao terminar o meu curso na Universidade Pedagógica, consegui uma bolsa para ir estudar População e Desenvolvimento no Egipto, por um ano.

 

Quando voltei, tive outra bolsa para desenvolver os estudos na mesma área, na Holanda, onde fiz o mestrado em População e Desenvolvimento. E depois da Holanda, comecei a minha carreira no Instituto Nacional de Estatística, onde assumi vários cargos, dando assim uma pausa ao professorado. Em 2017, completei 35 anos de serviço e reformei-me.

 

  1. Qual foi a maior dificuldade enfrentada durante a sua carreira profissional?

No professorado posso dizer que não tive nenhuma dificuldade, porque como professora na sala de aulas, eu impunha-me perante os alunos. Mas quando entrei na área de estatística, foi mais difícil. A questão da discriminacao da mulher existe. Eu era directora e lidava com técnicos, alguns da minha idade, outros mais novos. Por ser mulher, era um grande desafio fazer com que os técnicos cumprissem as suas actividades. Tive de dar vários processos disciplinares por causa do mau comportamento.

 

   3.   Porque decidiu sair da carreira de estatística, e abraçar o empreendedorismo através da escola que fundou?

Bom, eu podia ter ficado mais tempo na carreira de estatística, mas eu já tinha completado os meus anos de serviço na função pública. Decidi voltar para o professorado por ser a minha área principal, e ser empreendedora.

Também achei que devia dar a minha contribuição na formação do homem novo, ou seja, na a formação das crianças. O conceito de educação que eu recebi na altura que estudei, está a ser um pouco deturpado hoje em dia, por causa da qualidade da educação que temos em Moçambique. Acredito que tudo parte da formação de professores. Não podemos ter professores com 10a e 12a classes, pois tem uma grande deficiência e transmitem erros para as gerações mais novas. Por isso achei pertinente abraçar a área de educação, e contribuir para o melhoramento do nível da educação em Moçambique.

 

     4. Qual é a melhor parte do seu trabalho na Escola Génios?

A melhor parte deste trabalho é lidar com crianças, e conseguir ver os resultados. Felizmente tenho uma equipe de trabalho muito boa, que ensina como deve ser, a escola está a ganhar fama em termos de qualidade de ensino, então isso é a minha maior satisfação.

 

    5.  Como é que a Escola Génios prepara os seus alunos, de forma diferente, para terem sucesso como cidadãos Moçambicanos?

Nós não só ensinamos a ciência, mas também educamos. Algumas pessoas acham que a educação é para os pais, e a escola só faz a instrução. Mas não. Nos instruímos e educamos. Na nossa escola temos uma série de actividades que complementam aquilo que acontece na sala de aulas. Nós olhamos para o saber ‘ser e estar’. Fazemos questão que as crianças conheçam datas comemorativas, e falem sobre elas. Na formatura falamos sobre temas de cidadania preparados pelas crianças. Temos também salas vocacionais, de jogos, matemática, ciências sociais, informática, onde as crianças ocupam o seu tempo sempre aprendendo algo novo.

 

6. Por último, que conselho gostaria de deixar para as mulheres moçambicanas que almejam ter uma carreira?

O meu conselho é que sejam persistentes. Tudo o que fazemos é um desafio. Não há nada que seja fácil. Então que sejam persistentes, e que tenham um foco. Porque se tem um foco, fica mais fácil lutar para chegarem onde querem.